Desculpa mas não consigo, não consigo chamar-te mãe. não te consigo considerar como tal. já consegui, mas nestes ultimos meses é quase impossivel. lembro-me dos tempos em que ainda moravamos em alhandra. era tudo tão perfeito. davas-me tanto carinho, como se já não houvesse amanhã. eras tu quem eu chamava quando tinha aqueles pesadelos que não me deixavam dormir, eras tu quem eu chamava quando começava a chorar, ou quando me magoava. vinhas sempre, o mais depressa que conseguisses. nunca me deixas-te mal. eras a minha super-mãe. e eu amava-te com todas as minhas forças, possiveis e imaginárias. ainda te amo, como te amava antes. mas tudo mudou. estás sempre demasiado ocupada com alguma coisa. com alguma coisa sempre mais importante; do que eu. tornas-te te numa pessoa totalmente diferente, do que eras antes, no passado. sei que também nem sempre sou a melhor filha, mas acredita que faço os possiveis por isso. mas tu queres sempre mais e mais e mais. tudo tem um limite, e o meu está quase a chegar. estás a deixar-me para trás, estás-me a meter fora da tua vida. magoas-me cada vez mais. não imaginas o quanto os teus actos me afectam. não imaginas o quanto eu choro todas as noites, pela falta do teu apoio e do teu carinho. pela falta daquela super-mãe que eu tanto admirava, que eu tanto venerava. agora, limito-me a olhar para ti, e a reparar o quanto mudada estás. irei relembrar todos os nossos momentos, com um enorme sorriso na cara e com um enorme orgulho ! foste e serás sempre a minha super-mãe, apesar de todos os teus defeitos.
amo-te minha super-mãe.